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A Cruz Vermelha comemora em 2009 o 90° aniversário da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e paralelamente o 60° aniversário das Convenções de Genebra.
Dentre as atividades planejadas, milhares de jovens oriundos de mais de 120 países irão à Solferino, no norte da Itália, entre 23 a 28 de junho para comemorar a história do movimento e definir sua visão para enfrentar os desafios humanitários de hoje.
Jakob Kellenberger: Um grande desafio é continuar a melhorar nosso acesso às pessoas afetadas por conflitos armados e outras situações de violência.
Também devemos continuar a lutar tenazmente por mais respeito ao Direito Humanitário Internacional (DHI). Sabemos que o DHI nunca foi respeitado como deveria...mas se você luta pelo seu respeito com determinação, é possível fazer progressos.
Em nossa opinião, o principal desafio é alcançar um maior respeito às regras já existentes. Porém você nunca pode se dar ao luxo de dizer que as regras estão atualizadas e perfeitas. Áreas do DHI devem ser esclarecidas. Por exemplo, a noção de participação direta em hostilidades, um ponto que se tornou central, tem de ser esclarecida se você quiser assegurar que civis não participando diretamente das lutas sejam poupados. O CICV acaba de publicar um estudo sobre esta importante questão.
Ao longo dos últimos dois anos, também estivemos examinando com bastante extensão até que ponto o desenvolvimento futuro dos tratados legais é necessário, especialmente até que ponto diz respeito o DHI aplicado sobre conflitos armados não internacionais. Nesta área a legislação do tratado é bastante fraca.
O presidente Barack Obama assinou três ordens executivas em 22 de janeiro de 2009, três painéis de revisão para lidar com Guantánamo, políticas de detenção, transferência de presos e interrogatórios.
Estive em Washington em abril devido a estes painéis de revisão e para encontrar membros destes três painéis, incluindo o secretário de Defesa, o Procurador-geral, o secretário de Estado e o conselheiro de Segurança Nacional.
Teremos de ver os resultados dos painéis de revisão, mas penso que é um sinal muito positivo para o CICR o fato de estar tão estreitamente associado a este trabalho, o que nos permite dar a nossa contribuição.
A nova administração estava muito ciente de sua total rejeição a qualquer forma de tortura. Eles não questionam suas obrigações frente às Convenções de Genebra e anunciaram que Guantánamo seria fechada no prazo de um ano. São boas notícias.
Eu não penso que essas mudanças no espírito do voluntarismo serão problemáticas para o movimento como um todo. Na África, onde existem uma grande quantidade de problemas humanitários e conflito, o número de voluntários não está diminuindo.
Pelo que tenho escutado, esse é mais um problema do mundo ocidental. Curiosamente enquanto parece haver menos interesse em ser voluntário para causas humanitárias, o mesmo não é o caso para outros setores.
Esse é um dos grandes desafios - uma das coisas com que eu mais luto neste trabalho. Muitas vezes me pergunto: 'É esse o momento de falar ao público ou não? Quais serão as vantagens ou desvantagens? A linha divisória é muito estreita.
Temos diretrizes muito claras detalhando as condições que têm de ser cumpridas antes de podemos denunciar publicamente possíveis violações do DHI.
Em primeiro lugar, temos de ser confrontados com violações sistemáticas e sérias do DHI. Em segundo lugar, todas as nossas repetidas intervenções bilaterais com a parte responsável do conflito não surtiram efeito. Em terceiro, temos de ter testemunhado essas violações ou ter obtido informações de fontes confiáveis. Por último, precisamos estar convencidos que falar em público é a melhor coisa que podemos fazer às pessoas afetadas pelos abusos. Se estas condições foram preenchidas, é possível para o CICV denunciar publicamente as violações do DHI.
Confidencialidade é um instrumento importante para que o CICV tenha acesso às pessoas que estão sofrendo devido à guerra, mas isso não é incondicional.
Todas as sociedades nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho enfrentam seus próprios desafios em seus próprios países, mas existe um potencial interessante de trabalhar juntos para ver um impacto maior.
Muitas vezes você só pode ter uma influência se as atividades do CICV e sociedades nacionais complementam umas às outras. Quando visitei recentemente a província fronteiriça ao noroeste do Paquistão, pude ver o impacto positivo da nossa cooperação com o Crescente Vermelho paquistanês.
A capacidade operacional do CICV e sua habilidade de dispor rapidamente de resposta às crises agudas, como visto recentemente no sul do Líbano, Geórgia e Gaza, também são fontes de satisfação.
E também houve desenvolvimentos positivos do DHI. Não ouso imaginar qual seria a situação se não tivéssemos tido tantos colaboradores lutando por um maior respeito do DHI em campo.
Temos resultados. Tendemos a falar sobre violações, mas nunca falamos sobre casos em que, graças às intervenções através do CICV, outras violações puderam ser impedidas.
E eu acho que ninguém teria imaginado há dois ou três anos que, hoje em dia, mais de cem países teriam assinado uma convenção para banir as bombas de fragmentação (munições cluster).
Por: Simon Bradley, in.:swissinfo.ch
Delegação da Cruz Vermelha Portuguesa
tem mais 30 voluntários










Seminário «Planeamento Civil de Emergência»
O Governo Civil do Distrito de Setúbal promove, no próximo dia 4 de Junho, a partir das 9 horas, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal, o Seminário “Planeamento Civil de Emergência”.

Formar e colocar técnicos, tão capazes quanto os que viajam nas ambulâncias, em juntas de freguesia, câmaras, grandes empresas e centros comerciais é o objectivo de um projecto que a Cruz Vermelha Portuguesa lança este ano.
Dez minutos podem ser cruciais para salvar uma vida. Foi a pensar nisto, bem como no isolamento de algumas populações, sobretudo do interior do País, que a Cruz Vermelha Portuguesa decidiu criar o projecto de socorrismo de proximidade. O objectivo é colocar técnicos de socorro de proximidade, formados pela Cruz Vermelha Portuguesa, em juntas de freguesia, câmaras municipais, grandes empresas - entre elas, cadeias de hotéis e resorts com campos de golfe - e centros comerciais.
"O projecto que pode representar postos de trabalho para muitas pessoas salvará muitas mais ", disse ao DN o presidente daquela entidade, Luís Barbosa, sublinhando, contudo, que o seu sucesso depende muito da receptividade das câmaras municipais e empresas. São estas entidades que serão responsáveis pelos custos com a formação dos técnicos, bem como pela remuneração do seu trabalho (ver caixa). O curso poderá custar 320 euros por pessoa, disse ao DN Luís Névoa, o director-geral da Cruz Vermelha Portuguesa, e um dos responsáveis pelo projecto.
Mas "as principais beneficiadas serão as pequenas localidades do interior", avança Luís Barbosa. Aquelas, onde mesmo uma ambulância do INEM - Instituto Nacional de Emergência Médica pode levar mais tempo a chegar, pelas dificuldades de acessos ou pela distância. Aldeias localizadas em regiões onde os recursos e equipamentos de saúde são mais limitados.
Luís Barbosa adianta que a ideia já foi apresentada a algumas autarquias, que mostraram grande receptividade para o projecto.
Contudo, diz Luís Névoa, a sua apresentação formal aos municípios e empresas só começará a ser feita no próximo mês. E o primeiro curso de técnico socorrista de proximidade só arranca no segundo semestre deste ano.
Em 2009, "vamos fazer dois ou três cursos, de 10 elementos cada, para colocar nas delegações da Cruz Vermelha Portuguesa localizadas em zonas mais críticas do País, que não disponham de equipas de transporte e socorro. Depois vamos formando à medida dos pedidos de cada uma das entidades interessadas", explicou.
O curso de 70 horas dado a cada uma das pessoas abrange todas as componentes de socorros e tem como base de formação o curso de tripulante de ambulância de transporte. Pelas regras actuais teria a duração de 35 horas, mas tem o dobro, porque se pretende que os novos profissionais fiquem aptos a prestar todos os cuidados de emergência pré-hospitalar aos doentes, sublinha aquele responsável.
Desta forma, podem socorrer uma pessoa em qualquer lugar até chegar uma ambulância do INEM, diminuindo o seu risco de vida.
Cada um destes socorristas terá sempre consigo uma mala com muitos dos equipamentos que habitualmente estão nas ambulâncias. Uma mala que poderá ser transportada numa viatura normal, própria, ou que lhe será atribuída pela entidade da qual são funcionários. Ali ficará guardado um desfibrilhador automático de uso externo, equipamento essencial para salvar vidas.
Contudo, o uso de desfibrilhadores por estes novos profissionais de socorros está ainda condicionado pela legislação actual.
Por isso, o Ministério da Saúde está a preparar um novo pacote legislativo que permitirá a utilização do equipamento pelos técnicos de socorro, explicou Luís Névoa.
Os alunos do novo curso já devem ser pessoas com experiência em socorrismo e os seus formadores serão apenas profissionais de saúde, garantiu.
in.:www.dn.sapo.pt